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Começou no dia 31 de outubro a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP-26, um dos eventos mais aguardados dos últimos anos e com o imenso desafio de reverter a crise ambiental em andamento no planeta.

São muitas as discussões sobre as melhores estratégias para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e o aquecimento global, além de termos pela frente diversos compromissos a cumprir a fim de trilhar um desenvolvimento mais sustentável.

Sabemos que uma das formas de superarmos nossos desafios socioambientais é por meio da mobilização coletiva. Como líder de uma organização, acredito na importância da união de setores em prol da causa ambiental.

Por isso, tenho buscado conversar com outras empresas e associações para fortalecermos as nossas soluções nacionais. E, aqui, eu gostaria de trazer para debate uma solução que considero viável e acessível para a descarbonização: o etanol.

Segundo o Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores), o Brasil tem a sexta maior frota de veículos do mundo, com 46,2 milhões de automóveis em circulação. Isso nos colocaria automaticamente como um grande emissor de CO2 no transporte, mas graças ao biocombustível conseguimos reduzir o nosso impacto. Desde 2020, o Brasil substituiu 48% da gasolina automotiva utilizada nos veículos pelo etanol e 85% da frota do país já é de carros flex, abastecidos por álcool e gasolina.

Quem não acompanha tanto o setor pode se perguntar: mas por que essa troca é tão benéfica? A principal razão é a baixa pegada de carbono do nosso etanol, 90% menor do que a da gasolina.

Ao compararmos a qualidade do ar de grandes centros urbanos como São Paulo, por exemplo, já podemos ver o impacto desta mudança. Apesar de ser a quarta cidade mais populosa do mundo, segundo a plataforma internacional de monitoramento da qualidade do ar IQAir, sua posição é de 1476ª no ranking das cidades mais poluídas do mundo. Para um comparativo, Nova Delhi, a segunda cidade mais populosa do mundo, apresenta a 10ª pior qualidade do ar.

Se falarmos de um futuro com mais carros elétricos, o etanol também tem um espaço a conquistar. Ele pode ser usado como fonte abundante de hidrogênio, o chamado hidrogênio verde. Dentro do veículo, um reformador faz a quebra das moléculas, que se transformam em hidrogênio e dióxido de carbono.

Este hidrogênio segue, então, para a célula-combustível e é transformado em eletricidade para o motor e baterias. Todo CO2 emitido na atmosfera é absorvido pelo próprio ciclo da cana-de-açúcar, gerando uma emissão neutra.

Nosso biocombustível é certificado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), dentro do programa RenovaBio, que estimula a produção de biocombustíveis e tem entre seus pilares a emissão e a aquisição de créditos de descarbonização. Em março de 2020, também terminamos as certificações de todas as nossas unidades para o RenovaBio, iniciando a comercialização de CBIOs a partir de julho do mesmo ano.

Nosso crescimento é baseado em um modelo que traz a economia circular no centro da nossa atividade. Essa abordagem permite a valorização integral das matérias-primas agrícolas, priorizando a sustentabilidade em nossas ações. E é por isso que acreditamos tanto no potencial do etanol que produzimos.

O Brasil conhece a tecnologia do biocombustível há décadas, com programas importantes para disponibilizá-lo em todo o território nacional. E oportunidades como a Cop-26 são espaços importantes para compartilharmos com o mundo o que estamos fazendo por aqui. Precisamos posicionar o etanol como uma peça estratégica na descarbonização.

Acreditamos muito nesta solução que já está em nosso dia a dia e no seu papel para fortalecer a nossa economia, gerar empregos, e, acima de tudo, impulsionar o país de forma limpa e sustentável.

Pierre Santoul, diretor-presidente da Tereos, em artigo publicado em sua página do LinkedIn.

Por: USM/JornalCana.

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